quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dr. Carlos Nobre comenta as consequencias do aquecimento global no Brasil


O Dr. Carlos Nobre começou dizendo que o 1º fórum de chefes de Estado sobre aquecimento global, realizado no 62º Assembléia Geral da ONU foi positivo pois tem grandes possibilidades de avançar e explicou que o Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas anunciado pelo Pres. Lula na abertura desta Assembléia Geral vai determinar como o Brasil vai ajudar a amenizar o aquecimento global e como vai mitigar ou seja como vai adaptar-se as suas conseqüências. Explicou que a importância do Inpe para ajudar a evitar o desmatamento na Amazônia esta baseado em 30 anos de experiência na análise de dados enviados por satélites e que estas informações alimentam vários órgãos governamentais como o IBAMA e esclareceu que apesar da importância do Pantanal ainda não se tem estudos conclusivos sobre as conseqüências do aquecimento global para este importante ecossistema. Esclareceu que o Catarina pode ser chamado de furacão por ter todas as características de um, e que foi o primeiro furacão que se tem registro no atlântico sul.
Com relação ao risco do aumento do nível do mar o Dr. Carlos Nobre esclareceu que o Brasil tem relativamente poucas áreas com até 5m acima do nível do mar sendo que a maior parte destas áreas são ainda remotas, no entanto, as áreas nestas condições e com populações estão principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, Recife, Santos e São Vicente e se o nível do mar subir em 1m seria necessário desalojar 200 mil pessoas somente em uma grande favela do Rio do Janeiro e que o INPE tem um estudo sobre as mudanças futuras de temperaturas, chuvas e ventos para cada região do país (este estudo esta disponível no site aquecimentoglobal.com.br) onde um dos pontos mais importantes: Abastecimento de água: As grandes cidades podem ter problemas com o fato das chuvas tornarem-se mais episódicas ou seja choverá a mesma quantidade porém e pancadas mais fortes e irregulares ao longo do ano.
Agricultura: Teremos queda nas produções de milho, trigo, soja, arroz e feijão.

Doenças: Existe uma previsão para aumento de doenças associadas às ondas de calor, associadas à poluição, pois a mesma aumenta com o calor e devido ao aumento das enchentes e inundações crescerá a incidência de doenças causadas por meio hídrico e com a expansão da faixa de ocorrência dos vetores de doenças como a dengue e malária diretamente proporcional ao aumento das temperaturas.
O Prof. Carlos Nobre falou que os países tem ainda muitas resoluções importantes à serem tomadas para que o novo protocolo esteja pronto a tempo de substituir o atual protocolo de Kyoto termina em 2012.

Mudanças Climáticas - Os eventos climáticos extremos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul


As mudanças climáticas que observamos no planeta inteiro com o gradual e continuo aquecimento da atmosfera e dos oceanos devido à alta concentração dos gases-estufa que torna a atmosfera mais ativa intensificando gradualmente eventos como fortes chuvas, ciclos de secas, maior numero de furações e tufões também tem afetado o Brasil e entre todos os estados Santa Catarina e Rio Grande do Sul vem sofrendo com maior intensidade os efeitos do aquecimento global, a alguns anos atrás o Rio Grande do Sul sofreu um grande ciclo de secas que deteriorou bastante a economia agropecuária da região, Santa Catarina sofreu em 2005 um furacão que os meteorologistas não acreditaram que seria possível, pois este tipo de evento climática nunca havia sido registrado no atlântico sul, no entanto, este foi o primeiro, e felizmente a marinha e a defesa civil acreditaram na intensidade e força do evento e tomaram a tempo as medidas certas que amenizaram as perdas de vidas e os danos materiais, mesmo assim milhares de residências foram destruídas. Na linha do equador uma grande seca sem precedentes atingiu a Amazônia em 2005 que colocou em risco todo aquele gigantesco ecossistema, fundamental para a regularidade do clima no Sudeste e Sul do Brasil. O estado de Santa Catarina já sofreu outras enchentes anteriormente, mais nunca com a intensidade como a de novembro de 2008, em 2009 fortes tornados atingiram o oeste de Santa Catarina causando a morte de quatro pessoas. O país precisa aprender com estes trágicos eventos climáticos, e preparar-se para o futuro, o estado não pode apenas mostrar-se presente á luz dos holofotes da impressa, e necessário que haja um planejamento para lidar com esta nova realidade que esta se formando com as mudanças climáticas.

O PAPEL DO ESTADO
Somente o socorro emergencial às vitimas de calamidades como estas é pouco, é preciso evitar, senão amenizar, as calamidades causadas pelas mudanças climáticas preparando a sociedade e a economia para enfrentá-las, já que teremos que conviver por algumas décadas com os efeitos do aquecimento global. Cabe ao estado inserir as possíveis conseqüências das mudanças climáticas em seus planos de desenvolvimento econômico e infra-estrutura sob pena de ver sua sociedade e economia periodicamente afetadas por eventos climáticos extremos.
O estado de Santa Catarina teve sua economia paralisada com estas fortes chuvas, inclusive com o fechamento do importante porto de Itajaí, o Rio Grande do Sul ficou por alguns dias sem uma importante fonte de energia, o gás natural, que devido ao rompimento do gasoduto que passa pela região afetada pelas fortes chuvas em Santa Catarina, isto sem contar a tragédia social com centenas de mortes e milhares de desabrigados. Outros países já se conscientizaram que é necessário mitigar, ou seja, adaptar-se; no Reino Unido, por exemplo, o enfrentamento as possíveis conseqüências das mudanças climáticas já é política de governo, com várias medidas e investimentos como por exemplo a construção das gigantescas comportas do rio Tamisa para proteger a cidade de Londres das terríveis conseqüências das cheias.
Claro que não podemos comparar a capacidade de investimento de um país como o Reino Unido com a do Brasil, mais e certo que e sempre muito mais barato prevenir do que remediar. O Brasil precisa, entre outras, tomar medidas como maior fiscalização na ocupação do solo urbano para que não seja permitido construir em áreas de risco como encostas, ou a beira de rios, e mangues, maior fiscalização e orientação na construção predial para que estejam adaptadas a um clima mais rigoroso, maior fiscalização no controle de queimadas e desmatamento da Amazônia e de outros importantes biomas do Brasil, já que o Brasil é o 4º maior emissor de CO2 devido principalmente a queimadas na Amazônia. Desenvolvimento de novas técnicas de construção e adaptação de portos, rodovias, redes de transmissão de energia, dutos e gasodutos, para que sejam adaptadas para resistir aos efeitos de uma atmosfera mais ativa, manter estratégicas reservas e conservação de água para as grandes cidades e agricultura, para o enfrentamento de cada vez mais eventos de chuvas irregulares.
O governo Brasileiro já trabalha em um chamado Plano Nacional de Mudança Climática, que foi anunciado pelo Presidente Lula na 62ª Assembléia Geral da ONU, que até o momento não criou significativos resultados, esperamos que este plano seja abrangente o necessário para planejar como iremos adaptar nossa economia e sociedade para diminuir as emissões dos gases-estufa e enfrentarmos os efeitos que segundo os cientistas, teremos que conviver nas próximas décadas.




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Brasil levará para Copenhague meta de redução de emissões de até 38,9%




O Brasil vai levar para a Conferência do Clima de Copenhague (Cop 15) o compromisso de reduzir suas emissões de gases que provocam o aquecimento global entre 36,1% e 38,9% em relação ao que o País emitiria em 2020 se nada fosse feito.

Na prática, a redução anunciada resultará na diminuição do lançamento para a atmosfera de cerca de 300 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em relação ao que o País emitiu em 2005 - o que representa uma queda de 15% no período. A meta é menos ambiciosa proporcionalmente do que a do Estado de São Paulo, que adotou uma lei que prevê redução de 20% nas emissões até 2020, em relação a 2005.

No cenário internacional, porém, o compromisso brasileiro é, até agora, o mais audacioso dos países em desenvolvimento. A China já anunciou diversas ações para reduzir suas emissões, mas ainda não falou em números.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que "o esforço chinês é significativo, mas está na faixa de 16%, 17%". E a Índia defende que tem o direito de poluir para crescer.

Segundo o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, a meta é mais forte até que a de alguns países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Para ele, só com a redução do desmate o País vai diminuir as emissões numa ordem de grandeza equivalente ao que está sendo proposto pelos americanos.

Para atingir o objetivo, o governo federal pretende reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e, pela primeira vez, falou em cortar o desmate no Cerrado em 40%. Há medidas ainda na área de agropecuária, energia e siderurgia.

Dilma fez o anúncio da meta que ela chamou de "voluntária", ou seja, que não poderá ser cobrada internacionalmente, ontem, em São Paulo. Ela se reuniu na cidade com o presidente Lula e outros representantes do governo. "Agora vamos fazer uma avaliação para definir fontes de financiamento e datas (o cronograma de implementação das ações). Uma das questões mais importantes é que as ações sejam factíveis."

Na opinião do ministro Carlos Minc, as negociações climáticas enfrentam hoje "um certo baixo-astral" e o anúncio brasileiro pode ajudar. "Não sejamos ingênuos. A negociação é complexa e não é isso que vai resolver. Mas pode fazer a diferença em termos de ânimo."

Os países em desenvolvimento, de acordo com a Convenção do Clima da ONU, não são obrigados a adotarem metas. Porém, as nações industrializadas pressionam os emergentes, grandes emissores de gases-estufa, para que também apresentem objetivos concretos.

Segundo cientistas, um aumento de mais de 2°C na temperatura do planeta será desastroso - haverá mais temporais e maior desertificação. Por isso, é preciso reduzir as emissões de gases-estufa - o principal deles é o CO2 - provocadas pelas atividades humanas.

Após criticas EUA e China falam em acordos para COP-15 em Copenhagen


Folha de S. Paulo - Raul Juste Lores e Claudio Angelo

Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta, anunciaram ontem em Pequim que aceitam estipular metas para emissão de gases causadores do efeito estufa.
O comunicado dos presidentes Barack Obama e Hu Jintao foi feito dois dias depois que as duas potências decidiram enterrar a cúpula do clima de Copenhague, marcada para dezembro, propondo que seu resultado seja só um acordo político, sem efeito legal.
Ontem, Obama afirmou que não quer só uma declaração de intenções em Copenhague.
"Nossa intenção não é de um acordo parcial ou uma declaração politica, mas sim um acordo abrangente, que tenha efeitos imediatos", disse Obama, em entrevista coletiva com Hu.
Não deu mais detalhes e perguntas não foram permitidas.
No comunicado conjunto, os presidentes disseram que o acordo em Copenhague deve incluir metas para redução de emissão de gases-estufa para os países desenvolvidos e um plano de ação para reduzir as emissões de países em desenvolvimento. E que o diálogo entre os dois países inclui assistência financeira a países em desenvolvimento e a promoção de novas tecnologias, além de proteção a florestas tropicais.
Hu disse que China e EUA concordaram e expandir a cooperação em energia e mudança climática para "ajudar a produzir um resultado positivo na conferência de Copenhague".
A China e os EUA respondem, juntos, por 40% das emissões de gás carbônico do globo. Sem compromissos ambiciosos de redução por parte de ambos, nenhum acordo terá efeito.
E os EUA não estão indo a lugar nenhum. Apesar de ter feito do clima uma prioridade de sua campanha, Obama depende, para agir, da aprovação da lei de mudanças climáticas pelo Senado, que só deve acontecer em 2010. Sem EUA, não há China.
Além disso, há outros obstáculos ao acordo, principalmente no tocante ao financiamento do combate à mudança climática nos países pobres.
A própria anfitriã da cúpula do clima, a Dinamarca, sucumbiu. Seu premiê, Lars Rasmussen, propôs um acordo "politicamente vinculante", que deixaria o pacto legal para 2010.
Ontem, no final de uma reunião de ministros de 44 países em Copenhague, que incluiu o Brasil, a ministra do Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, fez as vezes de otimista.
"Houve um mal-entendido por alguns de que estivéssemos querendo um acordo parcial. Não é nosso plano. Nós queremos entregar respostas para todos os problemas principais, e também queremos um mandato para tentar dar forma legal a tudo isso", afirmou. Hedegaard citou como exemplo de vontade política a meta brasilleira de cortar até 39% das emissões em relação à trajetória em 2020.
"Um acordo político não sobreviverá à próxima eleição, à próxima recessão ou ao próximo desastre natural", criticou Kim Carstensen, do WWF. "O que nós precisamos é de um acordo legal." Segundo ele, há tempo. "Os rumores sobre a morte de Copenhague foram enormemente exagerados."
Mas outros países ricos já aceitaram o acordo político.
"Nós queremos um tratado legalmente vinculante, queremos obtê-lo em Copenhague. Mas, na prática, isso não será possível em Copenhague, então queremos números e metas de redução de emissões. Também queremos números para financiamento", disse Aled Williams, porta-voz do Departamento de Energia e Clima do Reino Unido. Os britânicos querem que os líderes também estabeleçam em Copenhague um prazo para o acordo final.




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Conseqüências do aquecimento global


- Aumento do nível dos oceanos: com o aumento da temperatura no mundo, está em curso o derretimento das calotas polares. Ao aumentar o nível da águas dos oceanos, podem ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas;
- Crescimento e surgimento de desertos: o aumento da temperatura provoca a morte de várias espécies animais e vegetais, desequilibrando vários ecossistemas. Somado ao desmatamento que vem ocorrendo, principalmente em florestas de países tropicais;, a tendência é aumentar cada vez mais as regiões desérticas;
- Aumento de furacões, tufões e ciclones: o aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação das águas dos oceanos, potencializando estes tipos de catástrofes climáticas;
- Ondas de calor: regiões de temperaturas amenas tem sofrido com as ondas de calor. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando até mesmo mortes de idosos e crianças.

Protocolo de Kyoto

Este protocolo é um acordo internacional que visa a redução da emissão dos poluentes que aumentam o efeito estufa no planeta. Entrou em vigor em 16 fevereiro de 2005. O principal objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos próximos anos. Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite poluentes no mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele prejudicaria o desenvolvimento industrial do país.

Conferência de Bali

Realizada entre os dias 3 e 14 de dezembro de 2007, na ilha de Bali (Indonésia), a Conferência da ONU sobre Mudança Climática terminou com um avanço positivo. Após 11 dias de debates e negociações. os Estados Unidos concordaram com a posição defendida pelos países mais pobres. Foi estabelecido um cronograma de negociações e acordos para troca de informações sobre as mudanças climáticas, entre os 190 países participantes. As bases definidas substituirão o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

Conferência de Copenhague - COP-15

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, na cidade de Copenhague (Dinamarca). A Conferência Climática reuniu os líderes de centenas de países do mundo, com o objetivo de tomarem medidas para evitar as mudanças climáticas e o aquecimento global. A conferência terminou com um sentimento geral de fracasso, pois poucas medidas práticas foram tomadas. Isto ocorreu, pois houve conflitos de interesses entre os países ricos, principalmente Estados Unidos e União Européia, e os que estão em processo de desenvolvimento (principalmente Brasil, Índia, China e África do Sul).

De última hora, um documento, sem valor jurídico, foi elaborado visando à redução de gases do efeito estufa em até 80% até o ano de 2050. Houve também a intenção de liberação de até 100 bilhões de dólares para serem investidos em meio ambiente, até o ano de 2020. Os países também deverão fazer medições de gases do efeito estufa a cada dois anos, emitindo relatórios para a comunidade internacional.